Geneviève Jacquinot, da Universidade Paris VIII, para quem, L'educommunicateur n'est pas un enseignant specialise charge du cours d'educations aux medias, c'est un enseignant du 21 eme siecle, que integre lês differentes medias fans ses pratiques pedagogíques.
Tradução Livre: O Educomunicador não é um professor especialista encarregado das aulas de educação em mídia, é sim um professor do século 21, que integra os diferentes meios de comunicação às práticas pedagógicas.
- Comunicação e Educação: aproximações e diálogos possíveis;
- Educomunicação: uma práxis social;
- Meios de comunicação e educação: interfaces;
- Tecnologias e educação: caminhos para a inovação.
1.2. PRÁTICAS E PRINCÍPIOS DA EDUCOMUNICAÇÃO:
- Ecossistema Comunicativo;
- Áreas de Intervenção Educomunicativa;
- Educomunicação: Infância, adolescência e juventude;
- Pedagogia de Projetos;
- Práticas Midiáticas como exercício da cidadania;
- Expressão comunicativa por meio das Artes.
1.3. GESTÃO, PLANEJAMENTO, IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO DE PROJETOS EDUCOMUNICATIVOS.
- Ambiente educativo: um ecossistema comunicativo;
- Gestão das relações: construindo um ambiente democrático e participativo;
- Estratégias de intervenção educomunicativa:
- Recursos e metodologias de comunicação e educação;
- Planejamento e implementação de projetos e processos de Educomunicação;
- Monitoramento e avaliação continuadas das ações.
------------------------------------------------------------------------------------------
2. REQUISITOS
Para
participar do Curso da ABPEducom é preciso ter curso superior ou estar
cursando e ter experiência profissional ou interesse de atuação nas
áreas de comunicação, desenvolvimento social e/ou educação.
3. INVESTIMENTO:
Para o público em geral
R$ 400,00
Para Associados da ABPEducom
R$ 280,00
4. INSCRIÇÕES:
O curso acontecerá de 12 de agosto a 16 de setembro de 2017, aos sábados, com exceção ao feriado de 7 de setembro.
Horário: 8h30 às 17h30
Número de vagas: 40
Local: Faculdade Cásper Líbero
Avenida Paulista, 900 -3andar
Bela Vista, São Paulo – SP
A certificação será dada pela ABPEducom. Para se inscrever, acesse ao link: https://goo.gl/Ogzryy
5. FORMAS DE PAGAMENTO:
1.Para o público em geral: Pagamento em 2 (duas) vezes: R$ 200,00 no ato da matrícula e R$ 200,00 em 08 de setembro.
2.Para associados da ABPEducom: Pagamento em 2 (duas) vezes: R$ 140,00 no ato da matrícula e R$ 140,00 em 08 de setembro.
Para fazer o pagamento online, por favor, CLIQUE NOS LINKS ABAIXO.
Primeira
animação de 2017 editada, turma 2 de iniciantes , estão a mil, e eu
acabada, faz parte, na periferia, muitos nunca trabalharam com uma
câmera... Satisfação...Vem mais por aí, e paciência na edição, a música
feita por alunos que tem levado o violão, alunos de 11 à 14 anos...
Trabalho coletivo!! Vamos em frente!!
Quantas mulheres brasileiras você se lembra de ter conhecido na escola? Quantas referências de mulheres na História você tem?
Para além das notas de rodapé, elas merecem ser tratadas como protagonistas da História.
1 – Leopoldina
Leopoldina Josefa Carolina Francisca Fernanda Beatriz de
Habsburgo-Lorena, ou simplesmente Maria Leopoldina, como é chamada em
terras brasileiras, nasceu em Viena, Áustria, em 1797. Foi arquiduquesa
da Áustria, Imperatriz Consorte do Brasil e, durante oito dias, Rainha
Consorte de Portugal. Era de excelente formação cultural. Falava
francês, italiano, latim e estudava o inglês. Aprendia o português
rapidamente. Pintava retratos e paisagens, e tocava piano. Gostava muito
da natureza e das ciências naturais.
D. Pedro passou o poder à Dona Leopoldina no dia 13 de Agosto de
1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina
do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a
sua ausência.
A Princesa Regente recebeu notícias que Portugal estava preparando
uma ação contra o Brasil e sem tempo para aguardar a chegada de D.
Pedro, Leopoldina, aconselhada por José Bonifácio e usando de seus
atributos de chefe interina do governo, reuniu-se na manhã de 2 de
Setembro de 1822, com o Conselho de Estado, assinando o Decreto da
Independência, declarando o Brasil separado de Portugal.
2 – Maria Felipa de Oliveira
Mulher negra e pobre, Maria quase nunca é lembrada por seus feitos.
Moradora da Ilha de Itaparica, Maria queria um Brasil livre dos
portugueses, responsáveis pela escravização do povo africano e da sua
família. Os portugueses resolveram atacar com armas, e Maria decidiu
participar em defesa da Independência. Primeiro espiava a movimentação
das caravelas e depois tomava uma jangada para Salvador, onde passava as
informações para o Comando do Movimento de Libertação.
Cansada do papel de vigia, resolveu entrar no combate. Ela sabia que
uma frota de 42 embarcações se preparava para atacar os lutadores na
capital baiana. Então, Maria convidou mais 40 companheiras para a ação.
Elas e as outras mulheres seduziram a maioria dos soldados e
comandantes. Após leva-los para um lugar afastado, esperavam até que
começassem a tirar as roupas. Quando finalmente os homens ficavam
pelados, elas davam uma surra de cansanção (planta que dá uma terrível
sensação de ardor e queimadura na pele), para depois incendiar todas as
embarcações.
Essa ação foi decisiva para a vitória sobre os portugueses em
Salvador, permitindo que as tropas vindas do Recôncavo entrassem sob os
aplausos do povo, no dia 2 de julho de 1823.
Maria Felipa continuou sua vida de marisqueira e capoeirista, admirada pelo povo. Faleceu no dia 4 de janeiro de 1873.
3 – Georgina de Albuquerque
Nascida em Taubaté, no dia 4 de feveireiro de 1885, é considerada a introdutora do impressionismo no Brasil.
Estudando Artes desde cedo, aos 17, ela confrontou o diretor o diretor da Escola de Belas Artes para estudar lá. E conseguiu.
Em Paris, cursou a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e se especializou no impressionismo.
Em 1922, já no Brasil, fez a primeira pintura histórica realizada por
uma mulher no país: o quadro “Sessão do Conselho do Estado que decidiu a
Independência” que hoje está no Museu Histórico Nacional do Rio de
Janeiro.
Após se dedicar ao magistério, em 1950, tornou-se a primeira mulher a ser diretora da Escola de Belas Artes.
Ela modernizou o ensino, contratando artistas modernos para dar aula na Escola.
Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de agosto de 1962.
4 – Clara Camarão
Nascida no início do século XVII, o seu nome indígena foi esquecido.
As poucas informações existentes indicam que ela era da nação Potiguar.
Foi catequizada por padres jesuítas, na aldeia de Igapó. Casou-se com o
chefe da tribo Poti, catequizado como Felipe, e junto a ele adotou o
sobrenome Camarão – tradução do nome Poti. Ao lado dele, Clara combateu
contra os holandeses em Pernambuco, liderando um grupo de grandes
guerreiras.
Rompeu com as barreiras da divisão de trabalho, ao se afastar dos
afazeres domésticos para defender seu povo junto aos homens, durante as
invasões holandesas em Olinda e no Recife.
O grupo de mulheres que liderava ficou conhecido como as Heroínas de
Tejecupapo, pequena aldeia da zona da mata pernambucana, que foi palco
de uma das batalhas ocorridas contra a dominação holandesa.
Participou de outras duas igualmente memoráveis, a ocorrida em Porto
Calvo e a Batalha de Guararapes, essa última, decisiva para vitória.
5 – Jovita Feitosa
Jovita nasceu em Tauá, Ceará, no dia 8 de março de 1848.
Filha de Maximiano Bispo de Oliveira e Maria Alves Feitosa mudou-se,
ainda adolescente (16 anos), após a morte de sua mãe vitima de cólera,
para Jaicós, no Piauí.
Aos 17 anos de idade, alistou-se para as forças militares da campanha da Guerra do Paraguai.
Disfarçou-se de homem: cortou o cabelo no estilo “alemão” ou
“militar”, amarrou os seios, usou chapéu de couro e foi à procura da
guarnição provincial. Conseguiu enganar os olhos dos policiais, porém,
ao visitar o mercado público foi delatada por uma mulher que logo lhe
reconheceu traços femininos com predominância da etnia indígena, além
dos furos de brincos nas orelhas.
Ao ser levada para interrogatório policial, chorou copiosamente e
manifestou o desejo de ir lutar nas trincheiras, com a mão no bacamarte.
Foi aceita no efetivo do Estado, após o caso chamar a atenção de
Franklin Dória (1836-1906), o Barão de Loreto, então presidente da
Província do Piauí, que lhe incluiu no Exército Nacional como segundo
sargento. Recebeu fardamento que deveria ser parcialmente recoberto por
uma saia e embarcou com corpo de voluntário para Parnaíba, litoral
piauiense.
No navio a vapor que saiu de Teresina, a história registra que eram
335 voluntários que seguiram até Parnaíba onde recebeu o reforço de
outros combatentes. A viagem seguiu pelo Maranhão, por Pernambuco e
chegou ao Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 1865.
Ao chegar ao Rio, Jovita ficou famosa. Todos queriam conhecer a
mulher do Piauí que corajosamente queria ir à guerra. Na capital
imperial foi entrevistada. Jovita chegou ao posto de primeiro-sargento, e
recebeu homenagens e presentes por sua intenção de participação no
conflito da Tripla Aliança.
No entanto, no Rio de Janeiro teve seu embarque negado, no final de 1865, pelo ministro da guerra, por ser mulher.
Foi expedido um ofício imperial, negando-lhe permissão para ir à
frente de combate, dando-lhe apenas o direito de agregar-se ao Corpo de
Mulheres que iria prestar serviços compatíveis com a “natureza
feminina”, como a enfermagem, por exemplo.
Jovita resolveu permanecer no Rio de Janeiro, decepcionada com o
acontecido. Caiu em profunda depressão e foi abandonada pelo marido, o
engenheiro inglês, Guilherme Noot. Tinha 19 anos de idade, em 1867,
quando cometeu suicídio com uma punhalada no coração.
6 – Bárbara de Alencar
Bárbara Pereira de Alencar nasceu em 11 de agosto de 1760, no
município de Exu, Pernambuco. Casou-se com 22 anos e se mudou para
Crato, no sul do Ceará. Teve cinco filhos.
Na época, as elites brasileiras almejavam os ideais de
independência e república. Enquanto isso, Bárbara e seus filhos
começaram a organizar uma frente revolucionária na cidade, com sede na
casa deles.
A Revolução Pernambucana estourou em Recife no dia 6 de março de
1817, liderada por Frei Caneca, Domingos José Martins e Antônio Carlos
de Andrada e Silva. Em 3 de maio, durante a missa dominical da igreja do
Crato, José Martiniano, filho de Bárbara, proclamou a república. Tropas
foram enviadas para conter a revolta. Oito dias depois, os
revolucionários foram presos. Numa das celas da Fortaleza de Nossa
Senhora de Assunção, esteve detida Bárbara de Alencar, considerada
localmente como a primeira prisioneira política da História do Brasil.
Após a prisão, foram enviados a pé para Fortaleza – acorrentados sob o
sol, levando um mês para caminhar 600 quilômetros.
Presa em calabouços de Fortaleza, Recife e Salvador, ela foi
maltratada e impedida de ver os filhos. Libertada depois de três anos,
ainda liderou um segundo ato, a Confederação do Equador, que se espalhou
pelo Nordeste a fim de acabar com a monarquia. Na revolta, dois de seus
filhos morreram.
Bárbara faleceu em 1832, aos 72 anos de idade.
7- Margarida Maria Alves
Nascida em Alagoa Grande, no dia 5 de agosto de 1933, Margarida foi
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande.
Durante o período em que esteve à frente do sindicato, foi responsável
por mais de cem ações trabalhistas na justiça do trabalho. Sua atuação
no sindicato entrou em choque com os interesses dos fazendeiros locais e
do proprietário da maior usina de açúcar local, a Usina Tanques.
Margarida foi assassinada por um matador de aluguel, no dia 5 de
agosto de 1983. Ela estava em frente a sua casa, com seu marido e filho.
Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à
Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 33 anos depois nenhum dos
mandantes foi condenado.
Em 2000, nasceu a “Marcha das Margaridas”, inspirada em Margarida
Alves. A Marcha é uma mobilização das mulheres do campo e da floresta
que integram o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras
Rurais (MSTTR) e de movimentos feministas e de mulheres.
8- Carolina de Jesus
Carolina Maria de Jesus, nasceu no dia 14 de março de 1914, em Minas
Gerais, Sacramento, uma comunidade rural onde seus pais eram meeiros.
Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola
depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e
de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a
escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever.
Após a morte de sua mãe, Carolina mudou-se para São Paulo. Na favela
do Canindé, construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e
qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para
coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.
Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para
escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre
como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram
alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre
escrevendo, ainda mais sobre eles.
Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem
rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve
sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus
princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas
famílias.
O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960.
Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958.
Dantas cobria a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente
após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área,
perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do local
gritando “Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!” Os intrusos
partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se
mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe
tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal.
A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana
(segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos
primeiros três dias).
9 – Dinalva Oliveira
Dina – Vocês vão me matar agora?
Ivan – Não, um pouco mais à frente
Dina – Vou morrer agora?
Ivan – Vai. Agora você vai ter que ir.
Dina – Quero morrer de frente.
Ivan – Então vira pra cá.
Dinalva Oliveira Teixeira nasceu no sertão baiano, município de
Castão Alves, em 16 de maio de 1945, filha de Viriato Augusto de
Oliveira e Elza Conceição Bastos.
De origem humilde, com muito esforço conseguiu entrar na Universidade
Federal da Bahia, onde se formou em geologia no ano de 1968, sempre
participando ativamente do movimento estudantil, quando foi presa pela
primeira vez.
Nesta época conheceu Antônio Carlos Monteiro Teixeira (também
desaparecido), colega de turma com quem se casou em 1969. No mesmo ano
mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde faziam trabalhos sociais nas
favelas.
‘Dina’ foi a mais famosa e temida de todas as guerrilheiras do
Araguaia. Militante do movimento estudantil baiano em 1967 e 1968, tendo
sido presa, casou com seu colega de turma Antônio Carlos Monteiro
Teixeira – que na guerrilha teria o codinome ‘Antônio da Dina’ – e
mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde trabalharam no Ministério das
Minas e Energia, e como militantes comunistas faziam trabalho social nas
favelas cariocas.
Sobrevivente do ataque à comissão militar da guerrilha no dia de
Natal de 1973, que matou cinco guerrilheiros, incluindo o comandante
geral Maurício Grabois, Dina embrenhou-se na selva com outros
companheiros e desapareceu até junho de 1974, quando foi presa, fraca,
doente e desnutrida, sem comer açúcar ou sal há meses, vagando na mata
perto da localidade de “Pau Preto”, com a companheira de guerrilha
“Tuca”, a enfermeira parasitóloga paulista Luiza Augusta Garlippe.
Levada à base em Xambioá, permaneceu presa e foi torturada por duas
semanas, sem prestar qualquer informação aos militares do serviço de
inteligência do exército, CIEx, que sempre quiseram pegá-la viva.
Em julho, Dina foi levada de helicóptero para um ponto da mata,
próximo de Xambioá. Assim que pisou no solo, pressentindo que seria
executada, Dina perguntou ao sargento do exército Joaquim Artur Lopes de
Souza, codinome Ivan, chefe da equipe, “Vocês vão me matar agora?” , ao
que Ivan respondeu: “Não, um pouco mais à frente”.
Os dois caminharam lado a lado por uns quinze minutos, mantendo uma
conversa cordial, testemunhada por mais dois militares que vinham logo
atrás.
Quando pararam em uma clareira, Dina perguntou: “Vou morrer agora?”,
ao que Ivan respondeu afirmativamente: “Vai, agora você vai ter que ir”.
Sem demonstrar medo, Dina declarou: “Então, quero morrer de frente”, ao
que Ivan retrucou: “Então vira pra cá”. Dina encarou o executor nos
olhos, que lhe desferiu um tiro no peito, usando uma pistola calibre 45.
A guerrilheira não morreu de imediato, sendo-lhe desferido um segundo
tiro na cabeça. Enterraram-na ali mesmo, o corpo jamais foi encontrado.
10 – Antonieta de Barros
Antonieta nasceu no dia 11 de julho de 1901, em Florianópolis, Santa
Cantarina. Seus artigos, crônicas e poesias eram assinados com o
pseudônimo de “Maria da Ilha”.
Oriunda de família pobre e humilde, ainda criança ficou órfã de pai,
sendo criada pela mãe. Dedicou-se desde cedo às letras. Desde os seus
primeiros estudos já lecionava para o Magistério e em 1921 concluiu o
Curso Normal na Escola Normal Catarinense. Ainda neste ano, fundou o
Curso Antonieta de Barros, voltado para alfabetização da população
carente que funcionou até 1952. No ano seguinte, fundou o Jornal A
Semana, que circulou até 1927.
Sua mãe, escrava liberta, trabalhou como doméstica na casa do
político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser
vice-presidente do Senado e chegou a assumir por dois meses a
Presidência da República.
Por intermédio dos Ramos, Antonieta entrou na política e foi eleita
para a Assembleia catarinense em 1934, dois anos depois de o voto
feminino ser permitido no país.
Eleita pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935,
cabendo-lhe relatar os capítulos Educação e Cultura e Funcionalismo.
Atuou na assembléia legislativa catarinense até 1937, quando teve início
a ditadura do Estado Novo.
Com o fim do regime ditatorial, ela se candidatou pelo Partido Social
Democrático e foi eleita novamente em 1947, desta vez como suplente.
Antonieta continuou lutando pela valorização do magistério, exigindo
concurso para o provimento dos cargos do magistério, sugerindo formas de
escolhas de diretoras e defendendo a concessão de bolsas para cursos
superiores a alunos carentes.
Ao longo de sua vida, Antonieta atuou como professora, jornalista e escritora. Faleceu no dia 18 de março de 1952.
11 – Aracy de Carvalho Guimarães Rosa
Ela nasceu no Paraná, em 1908. Na década de 30, separada do primeiro
marido e com um filho pequeno, ela se mudou para a Alemanha, já com
Hitler no poder, indo morar com uma tia. Fluente em alemão, francês e
inglês, conseguiu emprego no consulado brasileiro em Hamburgo, onde logo
se tornou responsável pelo setor de vistos. Correndo diversos riscos e
por iniciativa própria, salvou a vida de dezenas de judeus, que graças a ela emigraram para o Brasil, escapando da perseguição nazista.
Aracy chegou a usar clandestinamente o carro do serviço consular para
transportar judeus, que escondia em casa; na fuga, ela acompanhava os
refugiados até o navio e, fazendo uso de sua imunidade diplomática,
levava suas joias e dinheiro na própria bolsa, para evitar que fossem
confiscados pela polícia nazista.
Chamada de “Anjo de Hamburgo”, Aracy é a única mulher citada no Museu
do Holocausto, em Israel, entre os 18 diplomatas que salvaram judeus da
morte. Em 1982, ela foi reconhecida como “Justa entre as Nações”, um
título dado pelo governo israelense a pessoas que correram riscos para
ajudar judeus perseguidos.
Aracy morreu esquecida, em 2011, aos 102 anos, vítima de Alzheimer.
12 – Leolinda
A baiana Leolinda Daltro é precursora do
feminismo no Brasil no século 19. Engajada na causa indigenista,
separou-se do marido e viajou pelo interior do Brasil pregando a
integração das populações indígenas por meio da educação laica. Foi
escorraçada de Uberada, em MG, aos gritos de “mulher do diabo”.
Quando teve seu alistamento eleitoral negado, fundou o Partido
Republicano Feminino. O objetivo era mobilizar as mulheres pelo direito
ao voto. Morreu em um acidente automobilístico em 1935.
Seu obituário publicado na revista ‘Mulher’, editada pela Federação
Brasileira pelo Progresso Feminino, assinala que Leolinda “teve que
lutar contra a pior das armas de que se serviam os adversários da
mulher: o ridículo”.
(Via Buzzfeed)
13 – Maria Quitéria
Uma das principais personagens da independência, Maria Quitéria fugiu de casa para lutar pela Bahia.
Entrou para o Batalhão dos Voluntários do Príncipe, vestindo o
uniforme de seu cunhado. Se passou por um homem, apresentando-se como
soldado Medeiros. Lutou na Bahia de Todos os Santos, em Ilha de Maré,
Barra do Paraguaçu, na cidade de Salvador, na estrada da Pituba, Itapuã,
e Conceição.
Após ser descoberta pelo pai, foi defendida pelo Major José Antônio
da Silva Castro, comandante do batalhão. Ele permitiu que ela seguisse
no combate, pois mostrava muita habilidade com armas.
Em 2 de julho de 1823, quando o “Exército Libertador” entrou em
triunfo na cidade do Salvador, Maria Quitéria foi saudada e homenageada
pela população em festa.
Maria foi a primeira mulher a assentar praça numa unidade militar das
Forças Armadas Brasileiras e a primeira mulher a entrar em combate pelo
Brasil.
Em 28 de julho de 1996, foi reconhecida como Patronesse do Quadro
Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Por determinação
ministerial, sua imagem deve estar em todos os quartéis do país.
Em Salvador, uma estátua foi erguida em 1953, ano do centenário de sua morte.
14 – Joana Angélica
Aos vinte anos de idade, no dia 21 de abril de 1782, entrou para o
noviciado no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, na capital
baiana. Ali, foi escrivã, mestra de noviças, conselheira, vigária e,
finalmente, abadessa. Ocupava a direção do convento, em fevereiro de
1822, quando a cidade ardia de agitação contra as tropas portuguesas do
brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo – que tinham vindo para Salvador
desde o Dia do Fico.
Soldados e marinheiros portugueses se embriagavam e saiam atacando casas particulares.
Após tomar uma rua proxíma, decidiram invadir o Convento da Lapa. Joana,
com 60 anos de idade, ficou na frente da porta e tentou impedir a
entrada dos soldados no convento. Recebeu golpes de baioneta como
resposta e faleceu no dia seguinte, em 20 de fevereiro de 1822.
Na época, seu assassinato serviu como um dos estopins para o início
da revolta dos brasileiros. Joana tornou-se a primeira mártir da grande
luta que continuou até 2 de julho.
Atualmente, Joana Angélica dá nome à avenida principal do bairro de Nazaré, onde fica o Convento da Lapa.
15 –Tereza de Benguela
“Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década
de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Ela liderou o Quilombo de
Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por
soldados. Segundo documentos da época, o
lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30
índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século. Tereza
foi morta após ser capturada por soldados em 1770 – alguns dizem que a
causa foi suicídio; outros, execução ou doença.
Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e
de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia
posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de
milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.
Após ser capturada em 1770, o documento afirma: “em poucos dias
expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da
praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e
exemplo dos que a vissem”. Alguns quilombolas conseguiram fugir ao
ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777, foi novamente atacado
pelo exército, sendo finalmente extinto em 1795.
Leia a matéria completa em: Tereza de Benguela, uma heroína negra – Geledés